Saudações Companheiros!
A luta deles é para segregar, a nossa luta é para unificar. Nossa luta não é a luta do contrapoder: é a luta do antipoder. John Holloway
sábado, 11 de fevereiro de 2012
TODA SOLIDARIEDADE ÀS FAMÍLIAS DE PINHEIRINHO!
Por Fórum do Anarquismo Organizado – FAO
Desde o dia 05 de janeiro cerca de nove mil moradores da comunidade do Pinheirinho (São Jose dos Campos/SP) estão sendo perseguidos e intimidados por uma operação policial a mando dos governos Municipal e Estadual. As mentiras veiculadas pelos meios de comunicação colocam os moradores como criminosos foragidos.
Porém, a área do Pinheirinho, ocupada há oito anos, pertence à massa falida da Selecta S/A, de propriedade do especulador financeiro Naji Nahas. Antes de ser ocupada, era uma terra que ficou abandonada por 30 anos, com mais de 1 milhão de metros quadrados. A massa falida da Selecta tem uma dívida superior a R$ 15 milhões em impostos com o município de São José dos Campos.
Através da ação direta, a comunidade da ocupação Pinheirinho demonstra legitimamente o direito ao uso deste terreno que estava servindo apenas à especulação imobiliária.
A desocupação de uma área como o Pinheirinho significa negar ao povo o direito à moradia e não só isso, a utilização da polícia atenta contra a vida daqueles lutadores, que não cederam a nenhuma injustiça por parte daqueles que nos roubam todos os dias.
A recente liminar expedida pela justiça federal já pode ser considerada como uma parcial conquista do povo organizado. Independente das disputas partidárias entre os distintos governos, a força dos moradores em luta demonstra a capacidade do povo em impor à sua vontade.
Como povo, ficamos do lado daqueles oprimidos, que sem um lugar para criar seus filhos e dormirem protegidos do frio, encontram em abrigos não dignos um lar e vão lutar com todas as suas forças, paus e pedras para defender o que lhes é de direito. Sem medo de armas, falsos discursos ou mentiras as quais já estamos cansados de ouvir!
Nem casa sem gente, nem gente sem casa!
Resista Pinheirinho!
Fórum do Anarquismo Organizado
Criar um povo forte!
DNOCS X convivência com o Semiárido
Operar no Semiárido sem conhecer sua história é voltar a cometer os erros crassos do passado
Roberto Malvezzi (Gogó)
O Departamento Nacional de Obras contra a Seca (DNOCS) foi criado em 1909, ainda como Inspetoria de Obras Contra a Seca (IOCS), depois como Inspetoria Federal de Obras Contra a Seca (IFOCS). Durante décadas foi considerado como a maior empreiteira da América Latina.
A concepção do Departamento era equivocada em si mesma, isto é, combater a seca. Claro, nenhum país do mundo criou algum departamento para combater a neve, ou combater a chuva, ou combater o deserto. Entretanto, em sua longa existência, o Departamento construiu a maior açudagem do mundo, cerca de 70 mil, com capacidade para armazenar 36 bilhões de metros cúbicos de água de chuva. O Prof. João Abner, hidrólogo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, costuma dizer que, antes desses açudes, o semiárido era mesmo um deserto. Afinal, o que sempre faltou não foi chuva, mas a capacidade de armazenar a água que a chuva oferece.
Acontece que o Departamento criou ilhas de água, mas nunca fez sua distribuição horizontal. Essa lacuna fundamental é hoje admitida até por quem já esteja na chefia do órgão por quase uma década, como Manoel Bonfim Ribeiro. Essa é a proposta fundamental do Atlas do Nordeste, diagnóstico feito pela Agência Nacional de Águas para o meio urbano da região.
Mas, foi ali também que a chamada “indústria da seca” grassou como praga. Sempre exigindo novas verbas para novas obras, foi o ralo do enriquecimento pessoal de multidões de coronéis nordestinos, que fizeram a maior parte dos açudes e poços em suas propriedades particulares, além de construírem seu poder econômico e político manipulando a sede do povo. O que aconteceu esses dias com o apadrinhado do deputado Henrique Alves é apenas uma amostra grátis de décadas de drenagem do dinheiro público para cofres particulares.
Em 1959, intelectuais como Celso Furtado, setores da Igreja como dom Hélder Câmara, propuseram a criação da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Em seu discurso inaugural, Celso Furtado pronuncia a expressão “convivência com o semiárido” - retirando do centro o enfoque no combate à seca e focando a industrialização - que já tinha lastro em outros intelectuais da academia nordestina. Mas, na lógica do capital e do patrimonialismo, a Sudene repetiu a indústria da seca do DNOCS. Com a criação da Sudene, o Departamento perdeu poder.
Esses dias a presidenta Dilma Roussef disse que não iria mais fazer a parceria com a Articulação no Semiárido Brasileiro, que tirou do papel a lógica da convivência com o Semiárido e a fez realidade. Com um fiapo de dinheiro e tecnologias simples, tem um impacto social maior na população mais pobre que cem anos de DNOCS. Agora o governo voltou atrás e disse que vai prosseguir na parceria, mas vai continuar com sua distribuição de 300 mil cisternas de plástico pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), pelas mãos do ministro Fernando Bezerra Coelho. Portanto, uma no cravo e outra no calo do povo.
Operar no Semiárido sem conhecer sua história é voltar a cometer os erros crassos do passado. Um pouco de humildade do governo evitaria tamanho descalabro, como as cisternas de plástico e a nova cara dessa nefasta indústria da seca, agora como hidronegócio materializado na Transposição.
Dilma tem feito um esforço arretado para ressuscitar a indústria da seca.
Roberto Malvezzi (Gogó), é músico e escritor de Juazeiro (BA), coordenador nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT).
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
AVISO – DCE/UEVA
Atenção aos alunos que estão com problemas de matrícula ou com assunto pendentes com a PROGRAD.
O Diretório Central dos Estudantes (DCE-UVA) convoca os alunos para preencherem um formulário na qual irão relatar o problema, sendo dessa forma direcionada diretamente a PROGRAD na busca pela solução dos eventuais problemas.
Desde já agradecemos a atenção e esperamos a participação de todos na ideia da mudança deste falho sistema da UVA.
Diretório Central dos Estudantes – DCE/UVA
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Em defesa dos nossos coletivos
Os debates em torno da mobilidade urbana das grandes cidades brasileiras têm ganhado cada vez mais força e relevância, tanto pelos problemas cotidianos de tráfego quanto pelo discurso em prol de um estilo de vida mais sustentável. Especialistas e leigos são unânimes em afirmar que boa parte da situação caótica de nossas ruas e avenidas poderia ser amenizada se as administrações municipais, estaduais e federal investissem maciçamente em uma real melhoria das condições de acesso e uso dos transportes coletivos, como os ônibus, trens e metrôs.
É de se lamentar o fato de que, recentemente, algumas capitais como Teresina (PI) e Vitória (ES) tiveram aumentos nas tarifas de coletivos, fato que provocou a legítima indignação dos usuários. Fortaleza não está livre de um futuro aumento, mesmo que o slogan de possuir uma das passagens menos caras do Brasil seja fartamente utilizado nas próximas eleições em benefício do candidato escolhido pela atual prefeita. Ao permitir que empresários do ramo rodoviário manipulem os preços das passagens, muito provavelmente movidos pela sede de lucro e sem uma real preocupação em trazer qualquer benefício ou conforto adicional que justifique os aumentos, os gestores eleitos pelo povo matam qualquer discurso "verde" e qualquer possibilidade concreta de melhorar o fluxo urbano.
O elevada tarifa, aliada à sensação de insegurança e ao desconforto das viagens, especialmente quando os veículos estão lotados, servem como desestímulo ao seu uso. Pior ainda é a situação das mulheres, por serem vítimas potenciais de violência sexual, algo que infelizmente é naturalizado e retratado com deboche por programas "humorísticos" de TV como o Zorra Total, exibido pela Rede Globo.
Se uma pessoa adquire condições de comprar o seu próprio veículo, ela o fará movida pelo seu próprio conforto e pelo descrédito no uso dos ônibus, metrôs e afins. A mobilidade urbana e a preservação do meio-ambiente são temas deixados de lado quando essa pessoa se sente lesada pelas ineficácias do transporte coletivo e tem suas pressas pessoais. Mesmo sendo uma postura compreensível, não está certa. Se quisermos realmente evitar o colapso urbano, é fundamental lutar por transportes coletivos que tenham preços justos e condições concretas de conforto e segurança.
Fonte: Blog Rabiscos da Débora
Pinheirinho, Brasil e a tragédia do desenvolvimento
O Brasil se tornou um imenso canteiro de obras. O problema é que há gente morando nos locais onde se quer construir.
Leonardo Sakamoto
Então, para garantir que ninguém interrompa este país (que caminha impávido para cumprir seu destino glorioso), remove-se, expulsa-se, retira-se. Degreda-se. Para onde? Pouco importa, contanto que não atrapalhe a marcha.
E isso se aplica à construção de casas, escritórios, estradas, hidrelétricas, estádios de futebol.
Certo dia, um fazendeiro português com terras no Mato Grosso disse a Pedro Casaldáliga, símbolo da luta pelos direitos do campo no Brasil, para justificar o injustificável: “Dom Pedro, o senhor é europeu, o senhor sabe. As calçadas de Roma foram feitas por escravos. O progresso tem seu preço”.
O uso da porrada como instrumento de cumprimento de ordem legal varia caso a caso. Mas a violência está presente em todos eles, com bala de borracha ou não. Afinal de contas, existe maior atentado contra a dignidade humana que a remoção forçada de pessoas, no campo ou na cidade, que não têm para onde ir?
Adoro quando o governo diz “estávamos apenas cumprindo ordens”, mesmo quando todos sabemos que não havia condições para que a execução dessas ordens fosse feita de forma a respeitar a dignidade da população. Há sempre a possibilidade de dizer “não”, a Constituição garante isso ao poder público. Mais importante que um cumprimento imediato é um resultado pacífico. Em Nuremberg, o “cumprir ordens” foi amplamente usado. Lá, não colou. Aqui, cai como uma luva.
Cada um tem sua parcela de responsabilidade, apesar do Fla-Flu político instalado na internet queira demonstrar que não.
Falar sobre a política higienista de São Paulo e de seus governantes, estaduais ou municipais, é quase chover no molhado. Afinal de contas, as empreiteiras e os especuladores imobiliários estão lá, doando recursos de campanha, emprestando parentes para cargos públicos, influenciando o cumprimento e o não cumprimento de regras (o plano diretor da cidade de São Paulo que o diga).
Além do mais, a sanha punitiva do Estado-locomotiva (sic) da nação é grosseira, tendo – na maioria das vezes – como alvo a massa de sem-teto, sem-terra, dependentes químicos, pobres, enfim, os rotos que ousam ficar no meio do caminho. São Paulo é a prova viva do que ocorre com uma sociedade quando ela não digere e entende o seu passado. Ainda usamos métodos dos verde-oliva da ditadura, pois não refletimos como povo sobre eles após o fim dela, simplesmente anistiamos. Mudam-se os rótulos, ficam as garrafas. Qual a diferença de descer porrada em indígenas no Amazonas e Roraima para construir uma estrada durante a Gloriosa e lançar balas de borracha em uma comunidade pobre em São José dos Campos para, quem sabe, erguer um empreendimento?
Em São Paulo, Maria Aparecida foi mandada para a cadeia por ter furtado um xampu e um condicionador. Perdeu um olho enquanto estava presa. Sueli também foi condenada pelo roubo de dois pacotes de bolacha e um queijo minas. São dois, mas poderia ter dado muitos outros exemplos que ocorreram no Estado mais rico da nação. Aqui, a Justiça tem cumprido a letra da lei em casos de reintegração de posse contra sem-terra e sem-teto, mas é morosa na análise de casos de desapropriação de áreas griladas que deveriam retornar à coletividade (ah, é rápida também para adiantar parcelas de auxílio-moradia a alguns magistrados que são mais iguais que os outros). Isso sem contar que, para executar as ordens, administradores são implacáveis com pequenos e delicados com os grandes.
Mas dá paúra ver setores do governo federal, como a Secretaria Geral da Presidência, ultrajados com a tragédia humana que está ocorrendo em São José dos Campos, ao passo que a União está jogando o trator em cima de ribeirinhos, camponeses e indígenas para a construção de usinas hidrelétricas, como a de Belo Monte, no Pará. Em nome do progresso – o mesmo do fazendeiro interlocutor de Casaldáliga citado acima. Como já disse, violência estatal não é só dar porrada com cacetete. Ela pode vir através de financiamento também. É mais limpo e não cheira a gás.
Ultraje, passageiro, diga-se de passagem. Pois Gilberto Carvalho, o ministro que teve um secretário atingido por bala de borracha na desocupação do Pinheirinho, primeiro reclamou de como ela ocorreu. Depois, amenizou. “Não vou dizer que é imperdoável, mas é grave”.
E, antes que me esqueça, empreiteiras também são grandes doadoras de campanhas federais.
O governo brasileiro inundou o país com bilhões em recursos para a construção, com o objetivo de modernizar a infra-estrutura e erguer moradias, girando a economia. Só que “esqueceu” de uma coisa: com o mercado imobiliário aquecido, a busca por áreas urbanas para a incorporação levaria à expulsão de comunidades pobres que disputam a posse de terrenos. Se a Justiça considerasse sempre a função social da propriedade para tomar suas decisões, como está previsto na Constituição Federal, a história seria diferente e essas comunidades teriam direitos preservados. Mas se o Coelhinho existisse, talvez eu tivesse ganho o ovo de chocolate que tanto queria na última Páscoa. Ou se Papai Noel fosse de carne e osso, obras para a Copa não desalojariam ninguém de forma questionável.
O Planalto não se planejou para esses impactos da transformação do país em canteiro de obras. Para falar a verdade, não planejou muita coisa nessa área.
A questão trabalhista na construção civil está uma calamidade – os protestos na usina hidrelétrica de Jirau, que levaram a um quebra-quebra no ano passado, são a cereja do bolo. Pipocam manifestações de trabalhadores nas obras de estádios para a Copa do Mundo, como em Recife e no Rio de Janeiro, e casos de trabalho escravo (artigo 149 do Código Penal) em obras de moradia. Até em empreendimentos pertencentes ao “Minha Casa, Minha Vida” o Ministério do Trabalho e Emprego já libertou gente, como noticiei aqui.
E querem saber o melhor de tudo isso? O grosso da população brasileira não se importa. Assiste ao Estado tocar o diabo em uma comunidade. Acha um absurdo exageros, como todo cordial brasileiro, mas também não se importa em saber como o seu apartamento, energia elétrica, estrada ou estádio foram feitos. Quer ser abençoado e permanecer na ignorância.
Lembro-me do ensaio “O Fausto de Goethe: A Tragédia do Desenvolvimento”, de Marshall Berman. Trata da ambigüidade destes tempos de constante transição, nos quais o homem encaixa-se no contexto da modernidade da forma como consegue e da forma em que as circunstâncias permitem. Um tempo de paradoxos. Fausto é um personagem que tem altos e baixos: encanta e fascina, surpreende e decepciona. Não é possível traçar um caráter para ele, pois ele não o possui. Assim como todo o sistema, é mutável – uma metáfora do desenvolvimento capitalista.
Fausto vendera sua alma em troca de experimentar as sensações do mundo. Mas o diabo não é o Lúcifer da cristandade, não representa o mal em si, mas sim o espírito empreendedor capitalista e burguês. A mentalidade que fomenta Fausto (“destruir para criar”) é a realidade em constante movimento (Mefistófeles perguntava a ele se Deus não havia destruído as trevas que reinavam no universo para poder criar o mundo).
Essa destrutividade criativa pode ser encontrada no caso de Filemo e Baúcia, um casal de idosos. Ambos eram um empecilho para os planos do empreendedor Fausto e precisavam ser removidos. Quando Mefistófeles queima a casa deles, os assassinando, não quer Goethe provar a sua maldade, mas expor exatamente o contrário: joga-se a negatividade fora criando o princípio fictício que o mal (o casal idoso) pode ser estirpado da sociedade. Caem os limites morais. O desenvolvimento da modernidade não possui padrões éticos, além da ética que cria para si mesmo.
Para parte da população brasileira, o Pinheirinho era um mal a ser extirpado em nome do progresso e do futuro.
Mundo triste. Demais.
sábado, 4 de fevereiro de 2012
ATENÇÃO: A UVA está oferecendo esmolas aos estudantes...
SEM RESTAURANTE UNIVERSITÁRIO, OS ESTUDANTES DE FORA IRÃO SOBREVIVER EM SOBRAL COM AS ESMOLAS DO ESTADO!
COMPROVE PARA A UNIVERSIDADE QUE VOCÊ É LISO, SEM GRANA, E QUE CALADO CONCORDA COM A FALTA DE ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL DESTA INSTITUIÇÃO...!
EM TROCA ELES IRÃO LHES OFERECER UMA CERTA QUANTIA EM DINHEIRO...
VAMOS TODOS EM FAVOR DO NOSSO RESTAURANTE, R.U JÁ!
COMPROVE PARA A UNIVERSIDADE QUE VOCÊ É LISO, SEM GRANA, E QUE CALADO CONCORDA COM A FALTA DE ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL DESTA INSTITUIÇÃO...!
EM TROCA ELES IRÃO LHES OFERECER UMA CERTA QUANTIA EM DINHEIRO...
VAMOS TODOS EM FAVOR DO NOSSO RESTAURANTE, R.U JÁ!
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